Influenciadora Vitória MineBlox denuncia violência, ameaças e descumprimento de medida protetiva no Ceará

20 mai 2026
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A influenciadora digital Ana Vitória, conhecida nas redes sociais como “Vitória MineBlox”, publicou um vídeo nas redes sociais denunciando supostos episódios de violência doméstica, ameaças, abusos e descumprimento de medida protetiva envolvendo o próprio pai, na cidade de Tianguá. A adolescente, de 16 anos, afirmou estar vivendo sob medo constante e disse não confiar na atuação das autoridades diante do caso.

Criado em 2017, quando Vitória tinha apenas oito anos, o perfil “Vitória MineBlox” se tornou um dos maiores canais infantis voltados para conteúdos de gameplays de Roblox no Brasil, acumulando mais de 7 milhões de seguidores nas plataformas digitais.

Em vídeo divulgado no último sábado (16), a jovem relatou que decidiu tornar a situação pública após sentir que não estava sendo ouvida pelos órgãos responsáveis.

“Estou cansada de viver com medo. Eu não estou indo pra escola. Estou tendo que estudar em casa porque tenho medo de sair”, declarou.

Relatos de agressões e ameaças

No início do vídeo, Vitória negou rumores de que estaria sendo mantida em cárcere privado pela mãe, boatos que surgiram após ela passar cerca de um ano afastada das redes sociais.

Segundo a adolescente, o pai teria cometido violência doméstica contra a mãe e protagonizado episódios de agressividade dentro de casa. Ela afirmou que presenciou situações de destruição de objetos, ameaças e intimidações.

“Ele quebrava prato, vidro, pote, tacando tudo na parede para causar medo em mim e na minha mãe”, disse.

Ainda conforme o relato, a separação dos pais ocorreu após a Justiça conceder uma medida protetiva à mãe da adolescente em março deste ano.

Vitória também afirmou ter testemunhado um episódio em que o pai teria perseguido a mãe com uma faca e relatou momentos em que foi colocada em um carro enquanto ele dirigia em alta velocidade para assustá-la.

Denúncias de abuso e constrangimento

Durante o desabafo, a influenciadora relatou episódios que a fizeram se sentir abusada e constrangida pelo pai.

Ela afirmou que, aos 11 anos, foi obrigada a permanecer sem roupas diante dele, mesmo chorando e pedindo para se vestir. Segundo a adolescente, o episódio causou forte trauma emocional.

Vitória também declarou que o pai costumava levar homens adultos para casa quando a mãe estava trabalhando, situação que a deixava desconfortável. A jovem ainda relatou comportamentos considerados inadequados em relação às roupas que usava.

“Ele olhava para mim como se eu fosse um objeto. É nojento”, afirmou.

Impactos na saúde mental

A adolescente disse que os problemas começaram durante a pandemia de Covid-19, período em que teria sido afastada de amigos e familiares. Segundo ela, os episódios de violência afetaram profundamente sua saúde mental.

Vitória revelou ter enfrentado crises psicológicas, incluindo internações em hospitais psiquiátricos e pensamentos suicidas.

“Eu tenho ideações suicidas porque meu pai falava para minha mãe: ‘Eu vou te enlouquecer até você se matar’”, relatou.

Descumprimento de medida protetiva

Mesmo após a concessão da medida protetiva, Vitória afirma que o pai continuou tentando se aproximar dela e da mãe. Segundo a defesa da adolescente, notificações do sistema de monitoramento da Lei Maria da Penha indicariam pelo menos cinco aproximações indevidas.

A jovem criticou a atuação dos órgãos públicos e afirmou sentir que sua versão não está sendo levada em consideração.

“A justiça não está sendo feita. Não estão acreditando na versão da vítima”, disse.

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O que diz a defesa

A defesa da adolescente é representada pelos advogados Liana Mousinho, Pedro Brasil e Wesley Felipe.

Segundo Pedro Brasil, o caso tramita em segredo de Justiça, mas há preocupação com a segurança da jovem e da mãe.

“Existe uma medida

 protetiva na qual o genitor não deve se aproximar da menor e da mãe, mas, segundo o vídeo, há descumprimentos que precisam de uma atuação mais severa”, afirmou o advogado.

Conselho Tutelar se manifesta

O Conselho Tutelar de Tianguá divulgou uma nota de repúdio após ser citado nas declarações da adolescente.

No comunicado, o órgão afirmou atuar com responsabilidade, ética e compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O Conselho também classificou como “acusações infundadas” as críticas feitas à instituição e informou que todas as medidas cabíveis vêm sendo adotadas dentro da legalidade. O órgão acrescentou que o caso segue sob segredo de Justiça e é acompanhado por diferentes instituições da rede de proteção.

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Como denunciar casos de violência

Casos de violência física, psicológica, abuso, ameaças ou violações de direitos envolvendo crianças e adolescentes podem ser denunciados pelos seguintes canais:

  • Disque 100;
  • Polícia Militar, pelo 190;
  • Delegacias da Polícia Civil;
  • Conselhos Tutelares;
  • Delegacias especializadas de proteção à mulher e à criança.

As denúncias podem ser feitas de forma anônima e ajudam no acionamento da rede de proteção às vítimas.

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